
Guia de bairros de Santiago
Barrio Brasil, Santiago: mansões desgastadas, cerveja barata e uma pulsão noturna boêmia
A velha aristocracia mineradora de Santiago deixou igrejas neogóticas e mansões haussmannianas; artistas, estudantes e bares baratos se mudaram, e o Barrio Brasil tem funcionado maravilhosamente desde então.
Vinte e duas esculturas lúdicas e berrantes de Federica Matta ocupam o centro da Plaza Brasil, e numa tarde quente a praça funciona exatamente como deveria: crianças escalando corpos coloridos e cartunescos, estudantes com garrafas de cerveja de um litro, um músico de rua afinando os instrumentos como se todo o bairro fosse um longo ensaio. Esse é o Barrio Brasil em poucas palavras — um lugar construído pela aristocracia mineradora de Santiago, abandonado por ela, e depois ocupado por artistas e estudantes que encontraram quartos baratos nos anos 1990 e nunca foram embora de vez. É uma grandeza desbotada de ressaca, e a ressaca tem trilha sonora.
O que torna o Barrio Brasil conhecido
A primeira coisa a entender sobre o Barrio Brasil é que ele tem duas reputações, e ambas são verdadeiras. Uma é arquitetônica: este era o endereço da elite da cidade durante o boom do nitrato, quando a riqueza comprou igrejas neogóticas, floreios art nouveau, fachadas haussmannianas e mansões neoclássicas espanholas. A outra é social: depois que as famílias ricas partiram para o leste e uma rodovia cortou o bairro do centro antigo em meados do século XX, as grandes casas ficaram baratas, os quartos foram divididos e os artistas se mudaram para cá. Nos anos 1990, o bairro havia se tornado a pechincha boêmia de Santiago, e quando foi declarado Zona Típica protegida em 2009, a paisagem urbana congelou no meio da decadência — ornamentada, desgrenhada e gloriosamente sem polimento.
Essa tensão é o que dá charme ao distrito. Você pode ficar na Plaza Brasil, com sua pedigree de 1902 e suas 22 esculturas de Federica Matta, e olhar para um lado e ver um piquenique em família, para outro e ver um soundcheck punk, e para um terceiro e ver uma oficina mecânica. O bairro não separa suas funções para sua conveniência. Ele simplesmente segue em frente.
Ande algumas quadras e as igrejas começam a se impor, fazendo o melhor que podem para imitar catedrais europeias no meio de Santiago. A neogótica Congregación de la Preciosa Sangre, na Compañía de Jesús, construída entre 1873 e 1901 pelo arquiteto francês Eugenio Joannon, é um daqueles edifícios que fazem você diminuir o passo sem querer. O mesmo vale para a imensa Basílica del Salvador, na Almirante Barroso, que domina o horizonte com uma solenidade que faz os bares ao redor parecerem ainda mais barulhentos por contraste.

A mágica do bairro é que nada foi organizado em um tema. As mansões ainda estão lá, mas muitas foram divididas em apartamentos, albergues e hotéis boutiques. As ruas são protegidas, sim, mas proteção não é o mesmo que polimento. Este é um bairro onde a beleza vem com tinta descascada e um pouco de barulho de rua. Isso não é um defeito. É o ponto.
Onde comer e beber
O Barrio Brasil se destaca à mesa. Este não é um bairro de menus de degustação e guardanapos de linho; é um distrito de parrillas, cocinerías, chorrillanas e porções que parecem ter sido servidas por alguém de mal com a vida. A comida é decididamente chilena, geralmente barata e quase sempre melhor do que precisa ser.
Comece no Las Vacas Gordas, na Cienfuegos 280, uma parrilla emblemática que funciona desde 1998 em uma antiga oficina mecânica convertida. O salão se anuncia com uma enorme grelha aberta na frente, onde bifes, costelas, porco e machas a la parmesana são grelhados e enviados para mesas que geralmente estão cheias de pessoas animadas e barulhentas que sabem exatamente por que vieram. O pão não para de chegar. O salão não para de zumbir. É animado da melhor maneira possível, e recompensa o instinto sensato de reservar com antecedência ou chegar cedo.

Para um conforto mais tradicional, o Restaurante Juan y Medio, na Plaza Brasil, na Huérfanos 2076, alimenta o bairro desde 1947. Este é o lugar para estofado, charquicán, pastel de choclo e cazuela em porções que fazem você se perguntar se a cozinha está cozinhando para uma pessoa ou para um time de futebol inteiro. É o tipo de restaurante onde você sai com uma sacola de sobras e nenhum arrependimento. Em uma cidade que às vezes gosta de vestir sua nostalgia, o Juan y Medio mantém tudo simples e generoso.
Depois, há o Santo Barrio, na Avenida Brasil 109, que entende que uma noite adequada geralmente começa com algo frito, algo salgado e algo gelado. Suas chorrillanas — aquela grande travessa chilena de cura de ressaca com batatas fritas cobertas de carne fatiada, cebola frita e ovo — vêm em quatro ou cinco versões, e a geladeira guarda umas cinquenta cervejas engarrafadas, principalmente importadas. Este é o tipo de lugar onde a mesa fica cheia antes dos pratos.
A poucas portas dali, o Estrella Marina Sushi Fusión, na Avenida Brasil 333, oferece um ritmo completamente diferente: rolls nikkei e ceviche peruano-japoneses, com o bônus de dar para a Plaza Brasil. É uma das propostas mais modernas do bairro, mas ainda pertence à mesma energia fácil e eclética que define a vizinhança. Carne, cerveja, sushi, praça. Santiago, sendo Santiago, não vê contradição.
Para um prazer mais calmo, o Café Cupido, na Compañía de Jesús 2131, é uma casa de chá vintage escondida em um edifício histórico de frente para a praça. Não há placa; você toca a campainha e espera ser deixado entrar, o que já parece entrar na memória particular de alguém. Lá dentro, é só café com chocolate derretido e waffles absurdos de doce de leite, o tipo de coisa que pode transformar uma tarde em um pequeno evento pegajoso.

Vida noturna
O Barrio Brasil sai à noite do mesmo jeito que faz a maioria das coisas: barato, barulhento e sem muito interesse em parecer refinado. A noite começa na Plaza Brasil, onde os estudantes se reúnem com bebidas baratas antes de se dirigirem aos bares na Avenida Brasil e na Avenida Ricardo Cumming. O happy hour é uma instituição cívica séria aqui, com promoções de dois por um a partir das 5 ou 6 da tarde em uma fileira de bares na praça. Se você chegar cedo, a noite pode ser surpreendentemente econômica.
O clima muda quando a luz cai. Música ao vivo vaza pelas portas. A praça fica mais movimentada. Alguém sempre parece estar carregando uma caixa de som que provavelmente não deveria estar carregando. É festivo e um pouco caótico, e profundamente despretensioso.
Para a versão completa de uma noite chilena, o Los Buenos Muchachos, na Avenida Ricardo Cumming 1031, é a escolha clássica. Desde os anos 1970, é uma vasta parrillada bailable, onde bandejas de carne grelhada e empanadas chegam a longas mesas comunitárias e um show de folclore ao vivo, dança de cueca e cumbia tomam conta da pista todas as noites do ano. É descaradamente kitsch, sim, e também genuinamente divertido — especialmente se você chegar em grupo e com disposição para aplaudir nos momentos certos.

Se a sua noite quiser se transformar em uma verdadeira balada, o Blondie, na borda da Alameda, no Libertador Bernardo O'Higgins 2879, é a válvula de escape do bairro. Há muito tempo, alternativo e consistentemente dedicado a noites de indie, gótico, anos 80 e guilty pleasures em vários andares, é uma das instituições estudantis clássicas de Santiago e um lugar que ainda entende o valor de uma banda ao vivo.
Um conselho dos locais, e vale a pena seguir: o bairro fica mais agitado e solitário tarde da noite. Cuide da sua bebida, mantenha o celular guardado e pegue um Uber para casa em vez de andar pelas quadras vazias às 3 da manhã. O Barrio Brasil é animado, não mágico. Trate-o como um bairro de cidade real e ele te trata bem.
O que fazer / o que ver
Este é um bairro para andar e olhar, e as melhores coisas nele são gratuitas. Comece, como todo mundo deveria, na Plaza Brasil. A praça foi inaugurada em 1902, e as esculturas de Federica Matta fazem com que pareça menos um espaço cívico formal e mais um palco público. As crianças a usam como parquinho. Os estudantes a usam como sala de estar. O resto do bairro a usa como ponto de referência.
A partir daí, vá a pé e deixe as ruas protegidas fazerem seu trabalho. A Congregación de la Preciosa Sangre, na Compañía de Jesús, construída entre 1873 e 1901 por Eugenio Joannon, é uma das grandes âncoras arquitetônicas do bairro. O mesmo vale para a Basílica del Salvador, na Almirante Barroso, um monumental marco neogótico que dá ao horizonte uma forma severa, quase teatral. Entre elas estão as mansões que fizeram o bairro, as que agora são divididas em apartamentos, albergues e hotéis boutiques, suas fachadas carregando as marcas do tempo com mais dignidade do que muitos edifícios mais novos conseguem em toda uma vida.

Se você gosta da textura escondida das cidades, procure as cités — aqueles pátios coletivos estreitos de habitações operárias do início dos anos 1900 escondidos atrás de portas de rua. Dizem que os melhores exemplos estão em direção à Plaza Yungay, nas ruas Adriana Cousiño, Lucrecia Valdés e Hurtado Rodríguez. São o tipo de lugar que você perde se andar muito rápido, e é exatamente por isso que você não deve andar muito rápido.
Na borda oeste, onde o Barrio Brasil se mistura com a Estación Central, a Matucana 100, na Avenida Matucana 100, é um dos melhores centros culturais independentes de Santiago. Instalado em antigos armazéns estatais, abriga exposições de arte contemporânea rotativas, teatro, dança e cinema em várias galerias e palcos. Veja o que está acontecendo — geralmente é gratuito ou barato, o que parece totalmente alinhado com a veia democrática do bairro.
Bem em frente fica a Quinta Normal, o parque público mais antigo de Santiago, dos anos 1830, com o Museu de História Natural e a impressionante Biblioteca de Santiago moderna em seus terrenos. É uma adição fácil a um dia no Barrio Brasil, especialmente se você precisar de um pouco de verde depois da densidade de fachadas, bares e trânsito.
Um pouco mais a oeste, e muito valendo o desvio, fica o Barrio Yungay, com suas ruas que parecem congeladas no tempo e a famosa Peluquería Francesa (Boulevard Lavaud), a barbearia de 1868 transformada em restaurante e museu na Compañía de Jesús 2799. Atravessar para lá a pé parece menos sair de um bairro e mais entrar em um capítulo vizinho da mesma história antiga.
Don’t miss in Barrio Brasil
Praça Brasil e suas esculturas metálicas coloridas
A Basílica neogótica do Salvador
Bares de bairro clássicos servindo jarras baratas de cerveja
Compras e mercados
O Barrio Brasil não é um bairro de compras de butique, e ainda bem. A caça aqui é de antiguidades, achados de segunda mão e barracas de rua de domingo, e não de moda. As ruas históricas escondem alguns negociantes de antiguidades e vendedores de itens vintage entre as mansões, mas o verdadeiro prazer é vagar sem uma agenda de compras e deixar o bairro revelar sua vida pequena e prática: armazéns de esquina, padarias, lojas locais e as cocinerías que também servem de almoço.
Aos domingos, o distrito desacelera para um passeio. As famílias andam de bicicleta pelas avenidas fechadas, mercados de rua informais aparecem nos quarteirões próximos, e as barracas são cada vez mais administradas por imigrantes peruanos, colombianos e equatorianos vendendo artigos usados, produtos frescos, artesanato e sucos de frutas tropicais frescas — manga, maracujá, abacaxi. Não é curado. É vivo.
Para uma caça ao tesouro mais séria, caçadores de pechinchas vão para o sul, ao Persa Bío Bío perto do metrô Franklin, em busca de antiguidades, vinis e vintage nos fins de semana de manhã. O Barrio Brasil é mais sobre o ritmo da rua do que a conquista de sacolas. Você vem aqui para comer e andar, não para fazer compras até cair.
Onde ficar no Barrio Brasil
O Barrio Brasil é uma das bases mais baratas e charmosas no centro de Santiago, e isso é uma grande parte do seu apelo. Atrai um público jovem e econômico para albergues, pensões e hotéis boutique instalados em mansões antigas, o que significa que às vezes você pode dormir sob tetos altos e pisos de azulejo sem pagar o tipo de dinheiro que os bairros mais elegantes de Santiago cobram por um quarto com vista e consciência.
O ponto ideal são os quarteirões imediatamente ao redor da Praça Brasil e ao longo da Avenida Brasil. É aí que você está no meio da gastronomia, da bebida e da melhor arquitetura, e ainda a 15 minutos a pé — ou uma curta viagem de metrô — do centro histórico e de La Moneda. A contrapartida é óbvia e honesta: a praça e as principais avenidas são animadas e parecem seguras até tarde, mas algumas ruas laterais mais tranquilas podem parecer mais esfarrapadas e vazias à noite. Se você tem medo de andar à noite, peça um quarto em uma rua principal bem iluminada. Se pretende ficar fora até tarde, planeje voltar de Uber.
Os quartos em casas históricas convertidas podem ser genuinamente adoráveis pelo preço, embora venham com aquele capricho peculiar de rangidos e remendos que só um prédio antigo protegido pode proporcionar. Isso não é um defeito, mas um lembrete de que você está dormindo em um bairro com história, não em uma zona hoteleira com painel de inspiração.
Se você quiser a mesma sensação de herança com um toque mais calmo e residencial, o Barrio Concha y Toro e o Barrio Yungay estão na mesma órbita a pé. Os hotéis ao vivo para o Barrio Brasil são exibidos diretamente abaixo.
Onde ficar aqui
Hotéis em Barrio Brasil
Nossas estadias mais bem avaliadas neste bairro. Os preços são tarifas aproximadas “a partir de” — confirmadas com o provedor quando você continuar. Podemos receber uma comissão se você reservar por meio de nossos parceiros — sem custo extra para você.
Almacruz Hotel y Centro de Convenciones (Ex Galerías)
Hotel Diego de Almagro Santiago Centro
Como se locomover
O Barrio Brasil é pequeno, plano e feito para caminhar. Você pode atravessá-lo em dez a quinze minutos, e a praça, igrejas, mansões e bares estão todos a uma curta distância a pé. Fica ao norte da Alameda, imediatamente a oeste do centro histórico, e é por isso que funciona tão bem como base: central o suficiente para ser útil, perto o suficiente da cidade velha para importar, mas não tão polido que tenha esquecido como se divertir.
As estações de metrô mais úteis estão nas bordas do bairro: Cumming e Quinta Normal na Linha 5 ao norte e oeste, e República, Los Héroes e Moneda nas Linhas 1 e 2 ao longo da Alameda ao sul. Nenhuma está a mais de cinco a dez minutos a pé da Praça Brasil. De Los Héroes ou Moneda você está a duas ou três paradas da Plaza de Armas e do centro. A Linha 1 vai diretamente para o leste até Lastarria, Providencia e Las Condes, se você quiser os bairros mais elegantes.
Caminhar até o centro antigo leva cerca de quinze minutos. Para o aeroporto Arturo Merino Benítez, não há ligação de metrô: reserve de 30 a 45 minutos de táxi ou aplicativo de carona, dependendo do trânsito, ou pegue o ônibus oficial do aeroporto até o centro e um Uber curto de lá. Pelo bairro em si, Uber e os aplicativos locais de carona são a maneira sensata de voltar para casa depois de uma noite tarde, em vez de andar pelos quarteirões mais tranquilos.
Bom saber
Barrio Brasil — suas perguntas
Barrio Brasil é uma boa área para ficar em Santiago?
Sim, se você quer personalidade, vida noturna e herança com um orçamento limitado. É barato, relativamente central e cheio de mansões convertidas, bares e música ao vivo. A contrapartida é o barulho nos fins de semana ao redor da Praça Brasil e uma sensação mais surrada em ruas laterais mais tranquilas à noite, então escolha um quarto em uma via principal e volte de Uber depois de escurecer.
Barrio Brasil é seguro à noite?
É um bairro real, não gentrificado, então use o bom senso de cidade grande. A praça e as principais avenidas permanecem movimentadas e geralmente parecem seguras até a noite, mas as ruas mais tranquilas ficam vazias tarde da noite. Mantenha seu telefone e bebida sob controle, evite andar sozinho nas horas pequenas e pegue um táxi ou aplicativo de carona para voltar.
Pelo que o Barrio Brasil é conhecido?
Arquitetura grandiosa e desgastada e vida noturna boêmia e barata. Foi construído pela elite de Santiago, depois tomado por artistas e estudantes, e foi declarado Zona Típica protegida em 2009. A Praça Brasil, as esculturas de Federica Matta, as igrejas e os bares baratos lhe dão seu caráter.
Qual é a melhor coisa para fazer no Barrio Brasil?
Explore a pé. Comece na Praça Brasil, veja as esculturas de Federica Matta, depois siga pelas ruas protegidas até as igrejas neogóticas, mansões e cités. Se quiser um passeio maior, adicione Matucana 100 e Quinta Normal, ou cruze para o Barrio Yungay para visitar a Peluquería Francesa.
Galeria